Longevidade no poder é inusitada
A permanência de João Cláudio Derosso (PSDB) no comando da Câmara Municipal por tanto tempo – 14 anos – é uma situação inusitada, pelo menos em relação às outras capitais. Nos últimos cinco anos, todas as câmaras de capitais brasileiras tiveram troca de comando pelo menos uma vez, com exceção de Curitiba.
“Em toda a história da Câmara, Derosso foi o que mais ficou no comando da Casa de forma ininterrupta. Não aconteceu em Curitiba nem mesmo durante a República Velha, com as oligarquias”, afirma Ricardo Oliveira, professor de Ciência Política da UFPR.
Segundo o cientista político Rudá Ricci, da UFMG, há um risco muito grande de essa longevidade contrariar o interesse público. “O político deixa de representar a sociedade e vê o cargo como uma profissão. Mas não existe essa tal de profissão de vereador ou deputado. A sociedade acaba pagando para que eles trabalhem por interesses próprios”, avalia Ricci. Segundo ele, para minimizar esse problema é preciso limitar a possibilidade de reeleição no Legislativo. “Os movimentos sociais querem levar essa proposta de reforma política, para que só seja permitida uma reeleição consecutiva.” Segundo ele, há casos de perpetuação no poder nos grotões do Brasil. “O caso de Curitiba chama a atenção porque é uma capital rica, mas a situação não é inédita”, completa Ricci.
Os especialistas ponderam que a manutenção de Derosso na presidência decorre do apoio dos outros vereadores e dos prefeitos ao longo de todos esses anos. “Toda essa rede de cumplicidade foi construída pela maioria dos vereadores e prefeitos”, diz Oliveira.
A reportagem procurou Derosso para comentar o tema, mas não conseguiu contato com o vereador. (RF)













