A democracia brasileira continuaria a ser delegativa se confiássemos apenas na santidade e na ética dos políticos. Para sanar essa distorção, Rousseau já teria sugerido a democracia direta. Na sua época não existiam partidos. São eles, os partidos, que devem fazer a ligação ética entre a sociedade civil e o Estado.
No Ceará, PT e PSDB, por motivos diversos, não ganharão de volta os mandatos perdidos. O PT, por estratégia eleitoral, para não tornar vítima potencial candidato ao Executivo, pois o fortaleceria. O PSDB, ao contrário, por existir uma brecha na legislação: o eleito pode ir para partido em formação. É o ajuste de uma sociedade de partidos frágeis a um caminho de uma democracia representativa.
Existem outras formas de participação, mas não foram os movimentos sociais quem distribuiu renda, mas partidos no poder via representação. O partido é a fonte do pacto civilizatório dessa diversidade das ambições presentes na sociedade e em estado de guerra civil.
A definição do Supremo, dois anos passados, de que o mandato é do partido, e não do eleito, foi muito significativa para o processo de reforma do Estado que essa geração assiste, reforma esta na direção de uma democracia representativa. Só se refaz o presidencialismo de coalizão, o nosso “toma lá dá cá”, por um sistema próximo ao parlamentarismo, dando nova ética ao legislativo e fortalecendo partidos políticos. Esse parece ser o papel da presidente Dilma ao revelar, via imprensa, a nova ética, onde patrimonialismo e nepotismo passam a ser pecado mortal. Desta vez os partidos aliados não estão com força para reagir e evitar a reforma ministerial em andamento.
Os partidos, portanto, estão certos ao pedir de volta o mandato dos políticos que trocaram de legenda. Eles estão contribuindo para consolidar o modelo liberal democrático numa ordem laica. O partido é que também devem ser responsabilizado pela ética dos eleitos para que tenha confiabilidade de quem representa para que ocupe espaços firmes na diversidade da sociedade.
Josênio Parente
Cientista político, professor e coordenador do GE Democracia e Globalização












